Vem pra Marcha da Maconha São Paulo 2015

31/03/15

Pela liberdade d@s noss@s pres@S 

Em memória a@s noss@s mort@S

#LEGALIZE

Marcada pro dia 23/05, às 14h20, no MASP, a Marcha da Maconha São Paulo 2015 vai tomar as ruas da cidade para exigir a legalização da produção, distribuição e uso de cannabis no Brasil — o primeiro passo rumo ao fim da “guerra às drogas”. Não marchamos pelo CBD, THC ou qualquer outra sigla que interesse à Industria Farmacêutica e seus lucros exorbitantes. Queremos a legalização da maconha por completo e para seus mais variados fins, do uso medicinal ao recreativo, sem massagem, e não daremos nenhum passo atrás.

A proibição já se mostrou ineficaz em cumprir seu papel anunciado, o de: controlar o uso de substâncias e plantas ilícitas, que a cada ano estão mais acessíveis, como a maconha. Então, por que insistir numa política que apenas leva a mortes e prisões, colocando o Brasil entre as 3 maiores populações carcerárias do mundo, com 715.655 pres@s? Por que não dar uma chance para a primavera verde florescer e provar que é possível construir uma política de drogas mais sensata e humana? Plantemos as sementes, quebremos as correntes.

Hoje, mais do que nunca, é inegável que a proibição só interessa àqueles que lucram com essa perversa máquina de moer vidas e cercear liberdades chamada “guerra às drogas”. Como toda guerra, ela mira pessoas como eu e você, levando a tragédia aos nossos lares e vizinhos, sobretudo nas periferias, onde a bala não é de borracha e a polícia se esconde atrás de uma lei absurda para cometer atrocidades. Quem ri e conta dinheiro sujo de sangue, enquanto choramos nossas dores são: bancos, grandes farmacêuticas, donos de clínicas de reabilitação, juízes, promotores, políticos e policiais corruptos. E se eles riem, nossas dores se somam, transformando-se na mais digna raiva direcionada ao proibicionismo.

Sim, temos raiva. Porém, não deixamos a alegria de lado na luta por liberdade. Do corpo pra dentro, quem manda somos nós. Não cabe ao Estado autorizar uma conduta individual que não afeta a vida de terceiros, como o uso de maconha. Então, assim como feministas levantam a bandeira do direito ao próprio corpo, nós, antiproibicionistas, somamos nossas vozes nessa luta pela liberdade e contra a ingerência Estado, que, embora nos acuse, é o verdadeiro criminoso.

Usuários ou não usuários, vendedores ou não vendedores, cultivadores ou não cultivadores, tod@s viramos inimigos do Estado no momento em que nossas ruas se tornaram campos de batalha onde “balas perdidas” insistem em achar corpos inocentes e o vermelho do sangue já foi naturalizado no cotidiano. Vivemos uma tragédia. E quem ousa desafiá-la é apontado como criminoso, trancado numa jaula ou enterrado numa cova, com a justificativa de estar envolvido com a economia das drogas, seja usuário, vendedor/traficante ou produtor/cultivador.

Fomos convocados a lutar em uma guerra que não escolhemos travar — e não aguentamos mais a ignorância e a estupidez nas quais ela se baseia. Ao contrário do proibicionismo, que impõe sua lógica, convocamos a sociedade para debater sobre a legalização da maconha neste processo que começa hoje e não acaba no dia 23/05. Basta de pres@s por plantar, usar ou vender. Chega de mort@s pela guerra às drogas!

Participe das atividades que vão rechear o calendário da Marcha da Maconha SP 2015 com muita cultura e informação. A Marcha é organizada de maneira horizontal e, caminhando e perguntando, está em eterna construção e sempre aberta a nov@s integrantes, optando sempre por fazer política de baixo pra cima. Venha para a rua soltar seu grito de indignação (e muita fumaça!) na que promete ser a maior Marcha da Maconha que o Brasil já viu. Traga seu bloco, seu batuque e suas cores, essa é uma Marcha onde cabem muitas marchas. #LEGALIZE

Pela liberdade d@s noss@s pres@S

O Brasil tem hoje a 3ª maior população carcerária do mundo. De seus 715.655 pres@s, cerca de 200 mil (27%) estão enjaulados por terem alguma ligação com o mercado das drogas — e ainda tem gente querendo reduzir a maioridade penal. Quando consideramos apenas as mulheres encarceradas, a porcentagem salta para 54%. Qual é a solução imposta de cima pra baixo pelos nossos governantes? Mais prisões e mais polícia, menos sensatez e menos paz no centro e, principalmente, na periferia. E, se não bastasse o elevado número de prisões, ainda temos as chamadas Comunidades Terapêuticas – manicômios atuais – que também encarceram e torturam, fazendo uso do “tratamento baseado em reza e roça” e sugando o dinheiro público e das famílias a pretexto de tratar. Para nós, usuário de droga não é criminoso e nem doente, é cidadão e deve ter seus direitos respeitados.

A ignorância dos gestores do Estado é tamanha que a cada dia vemos novos casos de pessoas presas por plantar sua própria maconha, na tentativa de fugir desse ciclo violento imposto pela proibição. Ah, “mas eles vendem” — bom, nem tod@s. E se vendem, qual é o problema? Condenar o vendedor (“traficante”) e aliviar pro usuário tem nome: hipocrisia. Por isso, queremos a liberdade imediata de noss@s Geraldinhos, Flávios, Marcos, Joanas e Irenes, entre tant@s.

A demanda por maconha e outras drogas é milenar e se não acabou depois de mais de 1 TRILHÃO de dólares gastos apenas pelos EUA na cruzada moderna contra as drogas, iniciada em 1971 por Richard Nixon e ampliada a nível mundial por Ronald Regan nos anos 80, tal demanda será eterna. Se os milhares de mort@s e pres@s não foram suficientes para cumprir o absurdo objetivo de erradicar as drogas, nada será capaz de fazê-lo. Ou alguém ainda duvida?

Em memória a@s noss@s mort@S

Ao analisar o perfil dos pres@s e mort@s ligad@s à economia das drogas no Brasil, fica claro que há algo de muito podre no reino tupiniquim. Nossos pres@s e mort@s tem cor, classe, idade e geografia. São jovens pretos e pobres moradores de periferia, que aos olhos do Estado representam ameaça à ordem imposta pela bala desde 1500.

Nessa longa noite que já dura mais de 500 anos, os negr@s sempre foram empurrados à margem da sociedade. E o que isso tem a ver com a maconha? Tudo! Lá atrás, no século XIX, enquanto o Brasil ensaiava a abolição da escravatura, também eram moldadas as formas de controle social que seriam empregadas sobre a população de homens e mulheres recém libertos.

Dessa forma, em 1850 foi instaurada tanto a Lei Eusébio de Queiroz, que proibiu o contrabando de escravos, quando a Lei de Terras, que limitou o direito à propriedade àqueles que pudessem pagar por ela. Se a primeira apontava para uma possível libertação, a segunda garantia que os ex-escravos não seriam proprietários legais de terras — e não gerariam despesas com gastos públicos. Passadas cerca de 4 décadas foi a vez da Lei Aurea (1888) apontar para a liberdade dos negros, enquanto o código penal de 1890 elevava ao nível nacional a proibição da capoeiragem, que englobava todas as manifestações culturais dos negros, como o jongo, samba, religiões e o hábito de fumar maconha. Esse inimigo moldado no século XIX hoje é o ‘traficante’ que aterroriza o imaginário popular e é abatido como gado nas periferias.

Ao contrário de muitos que preferem ignorar o passado para controlar o presente e construir um futuro orientado aos seus próprios interesses, nós temos memória e não perdoamos. Lembramos de nossos mortos de Maio, que deixaram suas mães guerreiras nesse mundo cão, e também jamais esqueceremos noss@s Amarildos, DGs, Patricks, Ricardos, Cláudias e Marias, que caíram sem vida aos milhares em razão da irracionalidade da “guerra às drogas”. Sim, eles têm voz e nós vamos amplificá-la até que a falsa paz da democracia atual seja escancarada, evidenciando o cotidiano violento ao qual estamos sujeitados até o dia do basta.

#LEGALIZE

Entre todas as drogas ilícitas ou lícitas, a maconha é de longe a menos danosa ao organismo. De quebra, a cannabis ainda tem milhares de utilidades, desde fazer a cabeça e aliviar dores de pessoas que sofrem com epilepsia ou câncer, entre outras doenças, à produzir combustível e fibra de cânhamo para confecção de roupas e até mesmo a construção de casas. É natural e não faz (tanto) mal, o que coloca a maconha como ideal para quebrar o tabu que hoje impera na sociedade conservadora: o de que drogas devem ser combatidas e drogad@s pres@s, internad@s ou mort@s.

Apesar da proibição e da vontade dos conservadores, a cannabis é amplamente usada pelos mais diversos setores da sociedade e, inclusive, a cada dia está mais próxima de ser legalizada justamente nos EUA, país que fez questão de exportar a “guerra às drogas” ao mundo e hoje conta com 23 estados onde a maconha é no mínimo descriminalizada. Mais perto, nosso vizinho Uruguai tornou-se o primeiro país a regulamentar produção, venda e consumo de maconha. Isso sem contar países como Canadá, Holanda, Portugal, Itália e Jamaica, que possuem leis mais permissivas em relação à maconha. Se tem funcionado em tantos lugares, por que não legalizar por aqui também?

Optar pela manutenção da “guerra às drogas” significa passar por cima da memória de noss@s milhares de mort@s e da liberdade de outros tantos milhares de pres@s. Com a certeza de que a razão está ao nosso lado para enfrentar as trevas do proibicionismo, fazemos um chamado geral a tod@s que querem construir um futuro melhor. Vamos marchar pela legalização da maconha e dar um passo rumo ao fim da “guerra às drogas” no Brasil e no mundo. As flores vão vencer o canhão! E aí, quem fecha com a gente? #LEGALIZE

 

MARCHA DA MACONHA SÃO PAULO 2015 – 23/05, 14h20, no MASP

Pela liberdade d@s noss@s pres@S

Em memória a@s noss@s mort@S

#LEGALIZE

700

15/04/15 08:42
Rogério Pinheiro da Costa:

Bom dia!

Acredito que está mais do que na hora de todos os usuários saírem as ruas para “lutar” como GANDHI fez.
Sem violência, sem mentiras, com a presença de todos! Juristas, cientistas, pais de usuários, amigos de usuários, vizinhos de usuários, negros que durante muitos anos foram escravizados ( e a população apoiava isso), os judeus que foram considerados sub raça (uma “verdade” imposta a população alemã, inclusive através de lavagem cerebral como acontece no Brasil atual através da televisão), aos gays que com suas passeata lutam por seus direitos individuais, os seguidores das religiões afro, que são discriminados, como também os espíritas, os nordestinos que são humilhados no sudeste, a população que é escravizada com esse salário mínimo escravista.
Enfim, o capitalismo está em ruínas e para sustentar esse sistema só mentiras, com um infundado e mentiroso discurso moralista!
Precisamos estabelecer debamos com base em informações científicas e históricas. Com pessoas com Sidarta Ribeiro, neurologista da universidade do Rio Grande do Norte, Dartiu Xavier psiquiatra da UNESP, Juiz Amilton Bueno de Carvalho.
A luta é muito maior que a LEGALIZAÇÃO da maconha, a luta é contra a corrupção, o fim da lavagem cerebral pelos grupos de comunicação, a luta pela valorização da vida!